ISOLAMENTO

Não vivemos um momento fácil nas nossas vidas.

Mais do que nunca necessitamos de responsabilidade, de civismo, de entreajuda e amor. Só com reciprocidade, um dos valores mais nobres dos relacionamentos humanos, é que conseguiremos regressar à normalidade dos dias.

Esta reciprocidade, entreajuda e bondade começa em cada família, que se encontra em isolamento social, em cada casa, nos quatro cantos espalhados pelo mundo.

Sabemos, que os períodos de maior contacto e interacção, em famílias que atravessam dificuldades no seu relacionamento familiar, são por norma, momentos de enorme stress e propensos ao aumento dos conflitos.

Neste sentido, pode ser importante a definição de alguns pontos estratégicos para que as famílias sejam mais funcionais e encontrem nos seus dias, sentimentos de maior bem-estar e satisfação familiar:

– Cooperação/Colaboração de todos nas tarefas domésticas: deste modo, nenhum elemento se sentirá tão sozinho na realização de tarefas que têm como objectivo o bem comum, de toda a família. Poderão definir em qual das tarefas, cada um se poderá sentir mais confortável em colaborar;

– Momentos de brincadeira e lazer: Manter crianças fechadas em casa, poderá ser um enorme desafio. Poderá ser importante a realização de brincadeiras e actividades que respondam às necessidades dos diferentes elementos, atendendo às idades, interesses e necessidades de cada elemento da família;

– Momentos de Partilha: Talvez esta pausa possa também possibilitar o reencontro, a comunicação e o escutar dentro de cada família. Há quanto tempo não tem tempo para contar estórias (ex.: estórias de vida pessoal, estórias curiosas ou engraçadas sobre si próprio ou sobre a família), piadas ou mesmo contos, como se fazia anteriormente nos serões familiares?

A partilha e a comunicação favorecem a cumplicidade e diminuem os afastamentos emocionais.

– Rir: Momentos e actividades que façam as famílias sorrir são mais do que válidos, são essenciais! Favorecem a produção da hormona da felicidade (oxitocina). Normalmente, as famílias com maiores conflitos desaprendem a rir e a divertir-se. 

Contar piadas, fazer jogos de equipa divertidos, produz o riso e este estimula o sistema imunológico, a pressão arterial desce e activa as energias de auto-cura. Por outro lado, fomenta o optimismo, a coragem, a serenidade e facilita os relacionamentos. O riso permite alterar o nosso mindset e não ver as coisas tão negras ou pessimistas. Permite relaxar e aumenta a esperança. Tudo o que é tão necessário neste momento!

Que a luz da esperança e da vida recomece dentro de cada um nós, motivado pelo maior bem que temos (as nossas pessoas, a nossa família), base e pilar que sustenta todo o bem-estar psicológico e emocional que temos e para que juntos consigamos recuperar a saúde e a vida desta grande família que todos nós somos!

Silvia Coutinho

Psicóloga Infanto-Juvenil | Terapeuta Familiar e de Casal