CASAIS EM TEMPOS COVID

Desafiante. Difícil. E em nada comparável a um cenário romântico ou cor-de-rosa.

Estar de quarentena, isolado em casa, com um cenário de horror e de quase guerra a ocorrer fora das nossas paredes, que coloca em causa um dos nossos bens mais básicos (saúde), não é propriamente a situação que mais fomente a nossa serenidade. É duro e possível potenciador de stress pós-traumático. 

Enquanto seres humanos que somos, necessitamos da nossa rotina, dos nossos hábitos, das relações sociais, do trabalho. Da nossa bolha de oxigéneo. De sair à rua e sentir o sol ou a brisa do vento. De percepcionar estabilidade económica e social, que potencia um sentimento de segurança interno.

Para, de repente, de um momento para o outro, sentirmos que tudo está colocado em causa.

Os casais e as famílias vêem-se obrigados a conviver 24 sobre 24 horas, na ausência de muitos dos recursos que potenciam a saúde mental de qualquer ser humano. Notícias que circulam na comunicação social, dão a indicação de um aumento intenso no número de divórcios na China, nomeadamente nas localidades submetidas a quarentena e isolamento. 

Mais do que nunca, a qualidade das relações amorosas é um precioso bem que deveremos saber e preservar. Para além de que cada um dos elementos poderá ter a sua forma muito propria de gerir o stress, as preocupações, e de vivenciar o sentimento de vulnerabilidade a que a situações expõe.

A comunicação do casal poderá ressentir-se neste período, podendo ser marcada por níveis de maior impaciência, motivados pelo stress e que empurram o casal a magoar-se  um ao outro, conduzindo a um maior afastamento ao nível da ligação emocional.

Contudo, muitos recursos estão ao alcance dos casais, de modo a presenvar a relação, assim como o seu bem-estar:

– Aproveitar para investir e potenciar a conexão emocional. Fomentar a escuta activa, profunda e empática, a responsividade emocional, no lugar da passividade;

Praticar compaixão  pelo outro e por si. Todos estamos preocupados com diversos aspectos da nossa vida. É um momento que pode exigir maior compreensão. 

– Utilizar técnicas de Mindfulness, de modo a fomentar momentos de autocuidado pelo casal ou individualmente, permitindo estar ligado à terra, ao presente, ao momento com maior relaxamento e serenidade. As técnicas de respiração poderão ser um excelente aliado;

– Estabelecer fronteiras e definir os momentos de disponibilidade para vivenciar o casal, a relação, a cumplicidade e intimidade, e os momentos para a dimensão individual, permitindo a que cada um cuide de si com equilibrio entre as duas dimensões;

Pedir ajuda: a capacidade de cada elemento pedir ajuda ao outro, mas também podendo significar recorrer a acompanhamento psicológico individual e/ou de casal (em formato online, no conforto e segurança da sua casa, não perdendo a qualidade que uma sessão em formato presencial apresenta), de modo a que este momento que todos vivemos deixe menos marcas possível.

Silvia Coutinho 

Psicóloga Infanto-Juvenil | Terapeuta Familiar e de Casal