AMAR DE OLHOS FECHADOS

Sempre me apaixonei à primeira vista, foi sempre a química da troca de um olhar que mais tarde potenciou um sentimento maior. A imagem esteve sempre como pilar no desencadear da atracão. A personalidade, apesar de fundamental, só era conhecida depois da paixão já estar instalada. O que, como devem imaginar potenciou algumas desilusões.
Vivemos numa Era onde tudo é imagem, tudo é constructos do belo e do expectável e desejável socialmente.
Vivemos na Era do “Agora e Já” onde parece que não temos tempo para saborear o descobrir do outro ao ritmo de cada um… Estamos todos com pressa de viver, de ter, de mostrar.

Neste momento de pausa global, o amor acompanha os meus pensamentos diários [como sempre] e trouxe-me a necessidade de vos falar da possibilidade de criarmos novas formas de nos apaixonarmos.
Sei bem que existem amores que nascem de amizades, muitos até [e ainda bem], mas sei que a maioria nasce de uma troca de olhares nunca antes cruzados.
Acredito que o sucesso do amor resulta da trilogia ATRAÇÃO – PERSONALIDADE – IDENTIFICAÇÃO e sei que não é na troca de um olhar que conhecemos o outro e garantimos um amor para a vida toda. São precisas muitas partilhas, muitos momentos, para que conheçamos um pouco a personalidade do outro. E na realidade, infelizmente, AMAR NÃO CHEGA. Às vezes temos de partir com todo o Amor dentro de nós… E temos de fazer lutos em tempos de isolamento Covid – um desafio ainda maior.

Neste momento de pausa global, a vida faz-nos o convite de nos apaixonarmos pelas pessoas, pelas suas personalidades, não pelas lindas imagens espelhadas no dia-a-dia.
A vida convida-nos a reparar no essencial. A reparar na forma como cuidamos e somos cuidados. É um convite à mensagem do Principezinho, onde “só se vê bem com o coração” e onde “é o tempo que dedicas à tua rosa que a torna especial”.
Um convite a amar de olhos fechados, mas nunca antes tão abertos.

Com amor,
Débora ♡