A TRISTEZA FAZ PARTE DE NÓS

Na situação em que vivemos atualmente, acredito que muitas das vossas crianças tendam a exprimir algumas emoções que assentem na tristeza. O facto de não poderem ir à rua quando querem, de não poderem ir à escola e abraçar os seus colegas bem como não poderem brincar com os primos, amigos e familiares, entre outros, acaba por gerar emoções de angústia, frustração e consequentemente tristeza.

Pensando nisso, relembrei-me de um filme que vi: Divertida Mente.  

Este filme retrata uma criança que está a experienciar uma situação traumática – mudar de casa. Ele descreve de forma precisa todas as emoções que a criança vai experienciar ao longo dessa situação. 

Há uma parte do filme em que a menina Riley foi chamada na escola para falar sobre a sua vida. Ela retrata a história de forma alegre até chegar ao ponto em que se apercebe que a vida feliz que ela conhece vai deixar de existir (vai mudar de casa).  

Nesse momento, ela precisa abraçar a tristeza para se ajudar a superar a situação, mas devido à emoção de felicidade que luta com a de tristeza, a criança fica presa no lugar em que essas emoções permanecem sem solução.

Às vezes, quando vivenciamos um evento traumático, precisamos de ficar chateados, de gritar ou de chorar, para podermos aceitar essa situação e assim seguir em frente. 

Portanto, para poder deixar de se sentir presa, a tristeza não pode ser evitada, ela é uma parte essencial do processo de cura. No filme, quando a emoção da felicidade percebe isso, ela permite que a tristeza afete as memórias principais para que finalmente a Riley possa sentir as suas emoções e, ao fazê-lo, começar a reconstruir quem ela é bem como a forma como ela sente as suas memórias.

Nunca se esqueça, cada SER é naturalmente capaz de experiência qualquer emoção e torná-la adaptativa ao momento, pelo que, não devemos esconder os momentos em que necessitamos de limpar as mágoas do passado ou os medos e as tristezas do quotidiano. 

Quando a sua criança se sentir triste e desconfortável ao falar sobre isso, relembre-a sempre, que tudo o que ela pode sentir é importante e sobretudo mostra quem ela é.  

Recomendo a todos os adultos com ou sem filhos que assistam a este filme maravilhoso. 

A tristeza faz parte de nós, aliás todas as nossas emoções fazem parte de nós. 

Ama-te pelo que sentes, ama-te pelo que tu és.

Sarah de Sousa

Psicóloga Clínica | Crianças e Jovens