DE REPENTE O MUNDO MUDOU

E de repente abres os olhos e passaram dois meses e o mundo mudou.

Sentes que te aprofundaste. Alargaste mais uma vez a dimensão do teu mindset [sentes que este expandiu-se]. Nunca te imaginaste a passar por uma situação como aquela que vivemos [própria de ficção científica]. Mas, abraçaste mais este desafio da tua vida e hoje sentes que cresceste. Tu cresceste. E contigo também a tua relação amorosa. Amadureceu [mais ainda] por necessidade face às circunstâncias.

Nesse período conseguiram [muitas vezes, com enorme complexidade e dificuldade] trabalhar, fazer tele-escola ou cuidar dos filhotes mais pequenos, gerir a casa e tarefas e ainda encontrar disponibilidade para namorar.

Nasceram com certeza, muitos novos chefes de culinária. A gestão das tarefas domésticas foi sendo feita, por vezes quase deixando a Marie kondo corada e mais do que nunca, treinaram juntos [corpo e mente], fortalecendo o vosso compromisso enquanto equipa.

Nem sempre conseguiram manter-se alinhados, mas foram conseguindo aprender a respeitar fundo e a contar até mil. A trabalharem a paciência. A escuta. A tolerância. A partilha, a serem equipa e a levarem convosco o amor enquanto lugar de encontro.

Nos desencontros, perceberam mais claramente as mágoas, os silêncios, a necessidade de delinear as fronteiras entre os espaços individual e conjugal, os altos e baixos e o tamanho do desafio que vos envolve.

Conheceram-se mais ainda, por estarem ambos diante de uma situação de stress, aprendendo mais do que nunca sobre compaixão, aceitação e a normalizar esta experiência face à lente do outro.

Amadureceram. E do lugar do Eu e do Tu, procuraram mais do que nunca fazer sentido da terceira entidade do casal: a relação. “O que isto significa para nós?”, “O que é mais importante neste momento para nós?” ou “Perante as circunstâncias, o que podemos fazer para nos realinharmos?”.

O amor é como um bonsai sensível que deverá ser meticulosamente cuidado, imaginado, fantasiado, seduzido, conquistado, sem controlo, mas sim com curiosidade e aceitação; fazendo do medo, dos bloqueios, das mágoas ou das sombras uma fissura por onde poderá entrar a luz e promover a segurança, a vinculação e a pertença. 

E tu, o que aprendeste durante o isolamento sobre o amor? 

Silvia Coutinho 

Terapeuta Familiar e de Casal | Psicóloga Infanto-Juvenil