COMUNICAR NO AMOR

Sempre gostei de observar as pessoas, procurando entender por detrás dos seus gestos, nas suas expressões, o significado. Quem nunca observou o casal da mesa ao lado e se deparou com o seu silêncio? Com a ausência de troca de palavras, de olhares, de carinho ou mesmo na maneira como se sentem e se apresentam um ao outro?
Frequentemente, colocamos pressão nos nossos relacionamentos enquanto esperamos que o nosso companheiro intua magicamente as nossas necessidades emocionais e as satisfaça. Contudo, quando isto acontece, colocamos no outro o peso de expectativas super-humanas, conduzindo-o a um sentimento de total falhanço na relação, motivando a distância e afastamento no casal. Instala-se o silêncio.
Contudo, raramente o silêncio é mudo. Estamos sempre a comunicar, invariavelmente, mesmo quando utilizamos o silêncio. 
O silêncio pode conduzir-nos à percepção de desconexão, de uma intimidade em fim de linha, de um desencontro.
Pode contudo, conduzir-nos para aquilo que é mais difícil de ser falado, para o que pesa demasiado, quando as palavras não são suficientes, quando silenciam os a emoção que transborda, mas que invoca um barulho interno insurdecedor, na esperança que o outro resgate, se interesse, se aproxime e escute o seu silêncio. Que o outro simplesmente esteja e seja para si. Está poderá ser designada por dor da desconexão [quando experimentamos perda ou rejeição e nos sentimos magoados, com raiva ou sozinhos]. A raiva ou a zanga é uma emoção comum à desconexão, mas não é necessariamente má. Como todas as emoções poderá apresentar algumas funções positivas. Poderá indicar-nos que alguém transpôs as nossas fronteiras ou nos magoou de alguma maneira e poderá insurgir-se como um poderoso sinal de que alguma coisa precisa mudar. Por vezes, podemos não nos permitir sentir a nossa raiva e, em vez disso, procuramos suprimi-la. Quando tentamos falar a zanga, isso poderá conduzir-nos a ansiedade, constrição emocional ou entorpecimento…numa relação amorosa, ao silêncio ruidoso de que hoje falamos. 
Aprender a comunicar com intenção, com consciência as nossas emoções, não significa derramar no outro todas as nossas frustrações que estamos a sentir ou apresentá-las sob a forma de criticismo. A compaixão pela dor e sofrimento do outro e empatia poderão ser emoções bastante úteis para mudar a direção de uma interação negativa num relacionamento. Permite uma maior disponibilidade para nos colocarmos no lugar do outro, ouvi-lo, vê-lo e compreendê-lo verdadeiramente, apresentando maior receptividade e menor criticismo. Por outro lado, permite sair do vazio do silêncio que nada transforma. Permite a comunicação sobre os problemas, maior descentramento interno, flexibilidade e coesão. 
Para construir relações conectadas e íntimas, necessitamos primeiro de nos sentirmos próximos e conectados com nós mesmos. Quando ouvimos e respondemos às nossas necessidades de amor e aceitação, não necessitamos de controlar o outro. Permitimos aceitação, flexibilidade e autonomia ao outro para ser quem é e ora estar no relacionamento de forma saudável e feliz, com maior entrega, escuta e partilha… aquilo de uma uma relação deve ser feita!

Silvia Coutinho

Terapeuta Familiar e de Casal

É FUNDAMENTAL SABER ESTAR SOZINHA

A vida muitas vezes vai colocar-te obstáculos no caminho para aprenderes as mais importantes lições da tua evolução.
A vida vai mostrar-te, muitas vezes à bruta, o quão importante é, saberes estar sozinha.
Esse é um desafio difícil, mas necessário ao teu bem-estar. Não poderás jamais depender de alguém para seres feliz.
A felicidade está dentro de ti e o outro apenas acrescentará mais luz à tua vida.

É preciso seres forte quando estás sozinha, mas sei que estarás à altura desse desafio, afinal, essa força existe dentro de cada uma de nós, apenas precisas procurar dentro de ti, aceitando cada dor e cada conquista no processo de autonomia.

Descobre como é bom passar tempo na tua companhia… Viajar sozinha, jantar sozinha, dormir sozinha… Descobre como é bom viver na tua pele.

Descobre quem verdadeiramente és em relação e em solidão. Despois dessa descoberta, depois da dor se dissipar, brilha e… Continua a ser a mesma pessoa, independentemente da condição.

Tens que ser imensa para saberes estar sozinha.
E quando descobres a tua imensidão, percebes que nunca mais ninguém terá o poder de apagar a tua luz e anular o teu brilho.

Com amor,
Débora ♡

TRANSFORMA[DOR]

Talvez o caminho que estejas a fazer neste momento não seja romântico, mas não deixa de ser por amor. Cada caminhar, seja por que motivo for, terá sempre uma componente de amor, ou então, não estarás a caminhar, estará apenas o teu mundo a continuar a girar.

Tudo o que atrais para a tua vida apenas espelha o teu mundo interior e é nesse encontro que poderás melhorar e curar-te por dentro.
Se neste momento estás a fechar o teu coração porque alguém te magoou no passado, possivelmente irás atrair alguém indisponível emocionalmente no futuro.
Se existe em ti falta de AutoEstima, certamente irás atrair alguém que se torne abusivo ou que te rejeite e ignore.

O melhor caminho para ultrapassar a dor não é mergulhar nela e fechar todas as portas e janelas. Se está a doer neste momento, se essa dor se torna insuportável, transforma a dor em Amor!
É no amor [há muitas formas de amar] que te reinventas e curas.

Talvez este seja o momento de cuidares de ti! De potenciar o teu ser, de dentro para fora. Se achares difícil caminhar sozinha, pede ajuda.

Transforma[dor], transforma a dor em toda a forma que houver de Amor.

Com amor,
Débora ♡

REINVENTAR O REGRESSO

Era Março quando as portas se fecharam, quando o mundo se tornou mais pequeno externamente, mas tão maior internamente.

As ruas ficaram maiores, as filas de transito desapareceram e o tempo gerou tempo para estar e para ser.

A ameaça de uma doença tornou-nos vulneráveis e provocou-nos a necessidade de nos protegermos.

Emergiu em nós a noção de não controlo sobre o que estava a acontecer e consequentemente, o medo ganhou o primeiro lugar na competição das emoções mais presentes neste caminho de incerteza.

É Junho e somos convidados a abrir as portas!

As ruas começam a vestir-se de cor e de gente. O cheiro da natureza mistura-se com os cheiros da rotina, cheiros de gente, cheiros de antes, cheiros de agora…

É Junho, passou metade do ano e connosco reside uma inquilina não desejada: a sensação de não termos vivido. Sente isso?

Convido-o a olhar para o fechar de portas a que fomos expostos, como uma janela de oportunidade para apreciar o essencial.

A vida é uma sucessão de acontecimentos, um malabarismo entre o bom e o mau. Contudo, não existem emoções boas ou más. Existem apenas emoções que nos impelem a agir de diferente forma. O medo sentido nestes tempos Covid, tem sido, sem dúvida, uma emoção adaptativa que nos tem permitido equilibrar e viver esta panóplia de emoções.

É no encontro do equilíbrio para continuar a caminhar, que serve de consolo a impotência que nos é inerente e a resiliência para continuar a olhar para a frente.

Perante o convite de abertura de portas, ecoam certamente, um misto de pensamentos e emoções dentro de si. Por um lado, a vontade de voltar, voltar a algo mais parecido com o antes, por outro lado, o receio desta nova realidade e ainda a tristeza de deixar as rotinas que se instalaram nestes mais de dois meses. Digo tristeza, pois, primeiro estranhamos o desconhecido e resistimos, mas depois adaptamo-nos e reinventamos rotinas, tornando o desconforto num momento confortável. Quando as emoções se tornavam adaptativas, fomos convidados a sair novamente da nossa zona de conforto.

É Junho e somos chamados a regressar.

Somos impelidos a fechar um ciclo e a iniciar uma nova caminhada. Uma caminhada que certamente trará obstáculos, nem que sejam, as emoções ao lidar com o desconhecido e a incerteza.

Convido-o a interiorizar que não importam os obstáculos e as dificuldades que nos surgem, mas sim a forma como os ultrapassamos.

Vamos fazer deste recomeço, um barómetro de evolução pessoal.

Que possamos integrar no nosso dia a dia, hábitos de bem-estar que nos reduzam as sintomatologias associadas ao medo. Que possamos passar mais tempo a olhar para dentro e avançar nesta jornada de autoconhecimento que nos permite evoluir. Que possamos ter mais tempo para o que realmente importa: as relações.

Deixo-vos a sugestão de uma prática diária de meditação, que poderá tornar-se o abraço pessoal que devolve algum conforto bem como o momento de autodescoberta.

Os recomeços serão sempre uma oportunidade de evolução. No momento não aceitamos nem entendemos alguma dor que possamos sentir nem a adversidade, mas depois… Depois percebemos a importância da reinvenção de nós e do mundo que conhecemos.

Para este regresso, também vos convido a refletir sobre as seguintes questões:

* Como avalia esta mudança obrigatória na sua vida?

* Quais as maiores dificuldades que sentiu?

* O que foi agradável?

* Vai sentir saudades de: __________________________

* Aprendeu que: ________________________________

* Gostava que as novas rotinas incluíssem: ____________________________

* Sente gratidão por: _________________________

Termino com um lembrete: A maior capacidade de adaptação ao “regresso”, reside nas escolhas que fazemos diariamente face aos pensamentos e emoções que experienciamos. Não reside em nós o poder de controlar o que acontece à nossa volta nem fazemos futurologia. Mas temos controlo sobre o que escolhemos “ruminar”. É necessário criar e preservar hábitos de autocuidado e gerir da melhor forma as emoções que nos assolam pelo que não controlamos. Com consciência, momento a momento, de cada emoção e pensamento.

Desejo-vos um regresso reinventado de oportunidades felizes.

Com amor,

Débora

CARTA AO AMOR

Sempre tiveste o maior dos protagonismos, sempre foste o mais esperado e desejado. És tu quem rouba suspiros, quem recebe os maiores dos elogios. És tu o autor de vários livros, de grandes filmes… Diria que és poesia em estado puro.
É por ti que se fazem as promessas do para sempre [que bonito]! É por ti que se geram vidas.
És Deus! E tens em ti o maior dos dons: CURA.
Podia dizer muitas coisas bonitas sobre ti que não caberiam aqui, mas hoje, queria mesmo falar-te de quando tu surges e devias ir embora.
Sim… Às vezes escolhes os corações errados para te alojares e não explicas como se deixa que te vás embora quando a dor já não é suportável.

Apareces sem avisar, quando não és esperado. Trazes contigo alegria, sonhos e promessas. Tens em ti a fé de que será para sempre, mesmo quando percebes que há uma grande possibilidade de alguém se magoar. Acreditas que terás o poder de mudar quem quer que seja através de ti! Então arriscas nessa conjugação de Amor e deixas nas mãos dos teus escolhidos.
Gosto da tua forma de unir pessoas e da fé que colocas nas relações, mas gostava que refletisses sobre as vidas destruídas pela tua ausência.
Todos os dias há alguém em algum lugar a sofrer, a chorar… a desacreditar… Porque te sentiram, viveram e ficaram vazias da relação, mas contigo no coração e isso não lhes permite voltar a Amar.
Tens noção da dor que estas pessoas sentem?
Imaginas o que será continuar a amar alguém que não está, que não quer estar e que não ama?
Já pensaste como poderás ajudar estas pessoas?

Acredito que só pensaste no “viveram felizes para sempre”, mas esse final pertence aos contos de fadas. Na vida real nem todos têm um final feliz e muitas vezes o final, pode ser “viveram sozinhos para sempre”. ♡
Pensa nisto Amor: o que sugeres para curar a dor da tua ausência?

Temos tantas vidas para alegrar e transformar!

Com amor,
Débora ♡

MEDO DE VOLTAR A AMAR

Ninguém manda no tempo. Nem no coração.
Só o presente interessa, mesmo quando ainda não acertámos contas com o passado. O que é preciso para consertar um coração partido? Tempo, silêncio e um novo amor. Tempo para apagar o passado, silêncio para nunca mais voltar atrás e um novo amor para nos trazer a luz e a paz de um novo dia ✨ Margarida Rebelo Pinto – A desordem natural das coisas

O que é preciso para consertar um coração partido?
Tempo, silêncio e um novo amor.
Uma espécie de fórmula mágica de transbordo de felicidade. Uma espécie de milagre!
𝕋𝕖𝕞𝕡𝕠 – é preciso tempo, mas e quando o tempo já é tanto tempo?
𝕊𝕚𝕝𝕖𝕟𝕔𝕚𝕠 – é preciso silêncio, mas e quando o silêncio de tão silencioso é ensurdecedor?
𝔸𝕞𝕠𝕣 – é preciso um novo amor, mas como permitir a entrada de um novo amor quando o velho ainda mora em nós e não nos deixa respirar?

Há amores que não são para sempre. Há amores que magoam de forma a não poderem estar presentes. Há amores que nunca se esquecem. Há amores que nos adoecem e nos roubam a capacidade de acreditar num novo Amor. Há amores “abraço casa” que ficam para sempre em nós. Há amores que nos esvaziam. Há amores que nos destroem. Há amores que nos roubam o brilho, a vontade de viver.
Há amores que não são merecedores de não voltarmos a Amar!

Há amores que demoram a ir embora da morada coração, que demoram a libertar a chave para uma nova paixão.
Há amores em que o tempo e o silêncio são inverno dentro de nós. Mas o Inverno sempre dará lugar a uma Primavera de fé.
Há amores que um dia vão embora e dão lugar a um novo amor – Talvez deem lugar ao verdadeiro Amor, aquele que não magoa.

O que é preciso para consertar um coração partido? Tempo, silêncio e um novo amor.
A seu tempo… em silêncio… um novo amor baterá à tua porta.

Com amor,
Débora ♡

DEVEMOS UM PEDIDO DE DESCULPA AO AMOR

Assisto tantas vezes a pessoas a confundir o amor com tantas outras coisas, que em nada tocam no amor. O amor cuida, respeita, tolera e aceita. O amor não é egoista, não tem maldade, e não persegue. Para que haja amor é necessário que se esteja disponível para acolher, mas também para deixar ir. O amor é algo de tão puro e bonito que não merece ser posto em causa, quem está em causa é a humanidade.
Aproveitemos todos para refletir sobre nós mesmos, e logo de seguida sobre o que nos move e sobre quem nos rodeia. Aproveitemos para refletir sobre o que carregamos cá dentro, e a estar cada vez mais atentos a quem se senta ao nosso lado. O excesso de centração em si mesmo adoece a capacidade de ver, e de amar para além de si mesmo. Surgem as exigências, a posse, a humilhação, os traços da doença. Quem está doente é a humanidade, e a responsabilidade é também de todos nós, não do amor. Esse padece no mesmo sítio de sempre, á espera da sua vez. O amor não conhece estes traços, nem seria capaz de os reconhecer, porque afinal de contas isto é tudo aquilo que o amor não é.

Dina Guerreiro
Psicóloga Clínica | adultos

UMA NOVA LIBERDADE

Enquanto almoço pela primeira vez num restaurante, com vista mar e aroma de liberdade, ouço as conversas das mesas vizinhas.

Agradavelmente constato que houve mudança [nestas pessoas houve]. Amigos falam do que mudou nas suas vidas e de como perceberam que afinal vivem tão bem com menos ruido e opções.

Tínhamos tarefas demais, distrações demais. Acabei por viver mais feliz com estes condicionamentos – ouvi-os dizer e sorri! Que alegria ver vidas a agarrar oportunidades de transformação.

A maior das liberdades não consiste nos direitos que temos, mas sim no mundo imenso que existe dentro de cada um de nós! És livre no teu pensamento.

𝕃iberdade é ouvir a voz interna

𝕀nteriorizar os valores que te importam

𝔹eijar o sol

𝔼nraizar crenças positivas

ecordar momentos de Amor

𝔻ar apenas pelo prazer de acrescentar

𝔸mar a vida com gratidão

𝔻eixar ir o que pesa

𝔼ncontrar a paz interior

Que esta nova liberdade seja uma primavera de pensamentos que transbordem num verão de emoções. Atreve-te a descobrir até onde te leva a liberdade de pensar e criar.

Com amor,

Débora ♡

MINDFULNESS E A NOSSA SOCIEDADE

Na sociedade atual, tendemos a passar o tempo a correr de um lado para o outro sem nos apercebermos do que se passa à nossa volta e dentro de nós.
No nosso dia-a-dia, tendemos a estar muitas vezes em piloto automático em vez de estarmos realmente presentes, de forma verdadeira. Estes hábitos podem limitar a forma como percecionamos os nossos pensamentos, emoções e comportamentos.
A prática de Mindfulness serve para nos ajudar a despertar para o “aqui e agora”. Isto é, ensina-nos a estar mais atentos a todas as nossas experiências, sensações corporais, pensamentos, emoções e comportamentos.

Mindfulness é prestar atenção de forma consciente ao momento presente, sem julgamentos. É aprender a tomar consciência sobre a forma como estamos a viver e perceber que podemos escolher como responder às situações da vida em vez de reagir às mesmas de forma automática.
Experimenta prestar atenção aos pequenos momentos, às pequenas coisas, aos pequenos detalhes vão acontecendo no teu dia-a-dia. Garanto-te que essas pequenas coisas não são assim tão pequenas.

Sarah de Sousa
Psicóloga Clínica – crianças e jovens
Certificada em MBSR

DE REPENTE O MUNDO MUDOU

E de repente abres os olhos e passaram dois meses e o mundo mudou.

Sentes que te aprofundaste. Alargaste mais uma vez a dimensão do teu mindset [sentes que este expandiu-se]. Nunca te imaginaste a passar por uma situação como aquela que vivemos [própria de ficção científica]. Mas, abraçaste mais este desafio da tua vida e hoje sentes que cresceste. Tu cresceste. E contigo também a tua relação amorosa. Amadureceu [mais ainda] por necessidade face às circunstâncias.

Nesse período conseguiram [muitas vezes, com enorme complexidade e dificuldade] trabalhar, fazer tele-escola ou cuidar dos filhotes mais pequenos, gerir a casa e tarefas e ainda encontrar disponibilidade para namorar.

Nasceram com certeza, muitos novos chefes de culinária. A gestão das tarefas domésticas foi sendo feita, por vezes quase deixando a Marie kondo corada e mais do que nunca, treinaram juntos [corpo e mente], fortalecendo o vosso compromisso enquanto equipa.

Nem sempre conseguiram manter-se alinhados, mas foram conseguindo aprender a respeitar fundo e a contar até mil. A trabalharem a paciência. A escuta. A tolerância. A partilha, a serem equipa e a levarem convosco o amor enquanto lugar de encontro.

Nos desencontros, perceberam mais claramente as mágoas, os silêncios, a necessidade de delinear as fronteiras entre os espaços individual e conjugal, os altos e baixos e o tamanho do desafio que vos envolve.

Conheceram-se mais ainda, por estarem ambos diante de uma situação de stress, aprendendo mais do que nunca sobre compaixão, aceitação e a normalizar esta experiência face à lente do outro.

Amadureceram. E do lugar do Eu e do Tu, procuraram mais do que nunca fazer sentido da terceira entidade do casal: a relação. “O que isto significa para nós?”, “O que é mais importante neste momento para nós?” ou “Perante as circunstâncias, o que podemos fazer para nos realinharmos?”.

O amor é como um bonsai sensível que deverá ser meticulosamente cuidado, imaginado, fantasiado, seduzido, conquistado, sem controlo, mas sim com curiosidade e aceitação; fazendo do medo, dos bloqueios, das mágoas ou das sombras uma fissura por onde poderá entrar a luz e promover a segurança, a vinculação e a pertença. 

E tu, o que aprendeste durante o isolamento sobre o amor? 

Silvia Coutinho 

Terapeuta Familiar e de Casal | Psicóloga Infanto-Juvenil